segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mutável

Sinto saudades de você, de mim, de nós... De nós? Que nós? Sempre houve o eu... O você... Mas não o nós. Acho que por isso sinto falta de mim mesma. Eu era outra, eu fui outra, eu me tornei outra. E porque não dizer que eu me sinto outra? A outra. Uma outra pessoa, um outro eu, uma outra Lívia. Mas não a Lívia mesmo, essa não mais reside neste corpo e alma, mutável como ela, não é a mesma. Nunca mais será.




Lívia Otero - 2.5.11

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lobotomia

As lágrimas descem à minha boca
Mas como saem de meus olhos?
Não as sinto, não as vejo
Se quer percebo sua descida aos meus lábios


Lábios que nunca beijaram quem mais desejam
Quem mais anseiam por um toque
O cheiro, o olhar, o sabor
Da tua boca em minha boca


Me sinto vazia, seca, oca
Como uma árvore sem essência
Como um corpo sem alma


Uma lobotomia psicológica
Acho que no ápce da dor humana
E do coração partido




Lívia Otero - 26.5.11

Imensurável

Carência, desejo, saudade
Desse verde esmeralda
Que agora ha de me evitar
De fugir de mim


Me sinto como quem quer apertar água
Como quem quer mais ar do que os pulmões suportam
Como quem deseja um pincel quem pinte infinitamente
Ou um fôlego que não acabe jamais


Queria, quero, ser mais por vc
Quero engarrafar as gotas
Inspirar para sempre
Pintar o quadro infinito


Te amo mais que à mim
Te amo mais que você mesma
Te amo mais do que posso
Se tornando... Imensurável




Lívia Otero - 26.5.11 - 01:50

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Amor me condena

Uns e outros me condenam por palavras que hão de sair de minha boca (ou dedos)... Ou até mesmo, atitudes que hei de tomar. Mas só eu sei o que sinto... E o que você sente. E não nos condeno por isso, muito menos à mim. Só eu sei o que é deitar e dormir a noite, não feliz e nem bem, mas um sono tranquilo, por ter feito o que seria o certo e não ter sido egoísta. Eu te amo. E isso basta pra mim. Porquê, por causa disso, eu sempre farei de tudo para te ver feliz. Mesmo já não sabendo mais se in ou felizmente, te amarei para sempre.




Lívia Otero - 2.5.11

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Razão, o Coração e a Felicidade

As noites estão mais curtas, os dias mais longos, meus sonhos mais embaralhados e sujos, enebliados, quase borrados. Até minha racionalidade está confusa, ela parece que está sem falar com o coração, mas eu não sei porquê. Logo ela que é tão sensata, não faz nada por impulso e sem pensar antes, porquê ha de brigar com o coração, que é tão passional e põe o amor e o carinho pela razão na frente de qualquer outra coisa? Achei que um iria compreender as atitudes do outro, ao que me parece, um só quer o bem alheio e vice versa. E, afinal, os dois sempre trabalharam pela mesma coisa, aquela menina sapeca que vive a brincar por ai e é só sorrisos com os dois. Ela é o motivo da harmonia entre o casal, é a filha do casal, na verdade. Uma tal de... Felicidade. Eu queria conseguir entender como pais tão zelosos e preocupados, acabam por não se entender e fazer a coitadinha fugir do lar. É de comum acordo que criar uma adolescente como a Felicidade é difícil, mas tenho certeza que os dois fazem o possível, sempre se moldando e aceitando decisões um do outro. A Felicidade é arredia, teimosa e não aceita nada fácil, difícil de agradar, sem falar que ao menor desentendimento, foge do lar. Apesar de ser novinha, ela é decidida e sabe o que quer, o que precisa pra crescer. Se veste e come o que bem entende e se é contrariada, vai embora. Deve haver um acordo dos pais, para que ela se sinta segura e em casa fique, não para sempre, uma hora ela acha seu rumo, mas ao menos por um tempo, suficiente para manter uma harmonia.


Lívia Otero - 2.5.2011